Alerta dado para quem usa o ChatGPT para aconselhamento médico após novo estudo revelar resultados preocupantes

O hábito de recorrer à inteligência artificial para tirar dúvidas sobre sintomas ou buscar orientações de saúde tornou-se rotina para muitos internautas. No entanto, um novo estudo publicado na revista BMJ Open traz um alerta necessário: confiar cegamente nessas respostas pode ser um risco real.

Pesquisadores colocaram à prova cinco dos chatbots mais utilizados atualmente — Gemini, Meta AI, Grok, DeepSeek e ChatGPT — e os resultados foram, no mínimo, preocupantes. Segundo a equipe de especialistas, cerca de 50% das respostas fornecidas por essas ferramentas apresentaram problemas.

A situação é ainda mais grave ao notar que 20% do conteúdo foi classificado como "altamente problemático". Embora o desempenho geral não tenha variado muito entre as plataformas, o Grok, da empresa de Elon Musk, destacou-se negativamente por apresentar uma frequência de respostas perigosas acima do esperado.

O que mais inquieta os estudiosos é o tom de autoridade das IAs. Elas fornecem diagnósticos com uma confiança absoluta, raramente admitindo a possibilidade de erro. De 250 perguntas testadas, apenas a Meta AI se recusou a responder em dois momentos específicos. Em todos os outros casos, as máquinas ofereceram conselhos, mesmo quando o tema envolvia riscos críticos à saúde.

O desempenho varia conforme o assunto. Enquanto as ferramentas se saíram melhor em temas já consolidados, como vacinação e oncologia, elas falharam drasticamente em áreas como nutrição, desempenho atlético e células-tronco. Nesses casos, o risco de receber uma orientação sem base científica aumenta significativamente.

Além disso, a qualidade das fontes é precária. Com uma pontuação média de completude de apenas 40%, as IAs frequentemente recorrem a "alucinações", criando citações e referências bibliográficas que simplesmente não existem. Nenhuma das ferramentas foi capaz de listar fontes totalmente verídicas.

Para completar o problema, a linguagem utilizada é complexa demais. A maioria das respostas foi classificada como de difícil compreensão, exigindo um nível de vocabulário de estudante universitário avançado. Isso cria uma barreira perigosa: além da informação estar potencialmente errada, o usuário comum tem dificuldade de interpretá-la corretamente.

Os autores do estudo concluem que, no estado atual, essas ferramentas são inadequadas para a prática médica e podem propagar desinformação em massa. O consenso é claro: a tecnologia, por mais avançada que pareça, não substitui o julgamento crítico e a expertise de um profissional de saúde humano. O uso dessas ferramentas sem supervisão ou educação pública adequada pode, na verdade, amplificar erros médicos.

Paulo Bravo

Paulo Bravo

Fundador do Detalhe Curioso

Formado em Contabilidade pela Faculdade de Economia da UAN, fundou a Empresa BravArtes onde ajuda a posicionar Marcas com serviços de Branding, Publicidade e Estratégias de Marketing Digital. Entrou para o mundo de Artes e Design Gráfico em 2018 e nunca mais saiu.

Apaixonado por Curiosidades e aprendizado criou o Detalhe Curioso para compartilhar informações e atualidades.

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