É verdade que usamos apenas 10% do cérebro?
Não. A ideia de que usamos apenas 10% do cérebro é um mito.
O cérebro utiliza praticamente todas as suas regiões, embora nem todas estejam igualmente ativas ao mesmo tempo.
De onde surgiu o mito dos 10%?
A origem exata da afirmação não é totalmente clara, mas ela provavelmente resulta de interpretações erradas de antigas ideias sobre o funcionamento cerebral.
Ao longo do tempo, a frase foi popularizada pela cultura popular e passou a ser apresentada como se fosse um facto científico.
Usamos todo o cérebro ao mesmo tempo?
Não.
Diferentes regiões do cérebro ficam mais ou menos ativas dependendo da atividade realizada.
Ler, falar, caminhar, lembrar de algo ou dormir envolve diferentes redes neuronais.
Mesmo quando estamos em repouso, o cérebro continua consumindo energia e apresentando atividade organizada.
Como sabemos que usamos mais de 10%?
Exames de imagem cerebral, como ressonância magnética funcional (fMRI) e PET, mostram atividade em muitas regiões do cérebro durante diferentes tarefas.
Além disso, estudos de pessoas com lesões cerebrais demonstram que danos em regiões aparentemente pequenas podem provocar alterações específicas em movimentos, linguagem, memória, visão ou outras funções.
Por que o cérebro não deixa tudo ativo ao mesmo tempo?
Ativar neurónios consome energia.
O cérebro precisa controlar cuidadosamente quais redes devem estar mais ativas em cada momento, em vez de manter todas as regiões funcionando com a mesma intensidade.
Isso não significa que as regiões menos ativas estejam inutilizadas.
O cérebro usa muita energia?
Sim.
Apesar de representar apenas uma pequena parte do peso corporal, o cérebro consome aproximadamente 20% da energia utilizada pelo organismo em repouso.
Grande parte dessa energia é necessária para manter os neurónios funcionando e permitir a comunicação entre eles.
Existem partes do cérebro que não fazem nada?
Não há evidência de que existam grandes regiões do cérebro completamente inúteis e simplesmente “à espera de serem ativadas”.
Algumas áreas possuem funções muito específicas e podem apresentar baixa atividade durante determinada tarefa, mas isso não significa que sejam desnecessárias.
Por que o mito parece convincente?
A ideia de que temos uma enorme capacidade cerebral ainda não utilizada é atraente porque sugere que poderíamos desenvolver capacidades extraordinárias se conseguíssemos “ativar os 90% restantes”.
No entanto, isso não corresponde ao funcionamento real do cérebro.
Então usamos 100% do cérebro?
É mais correto dizer que praticamente todo o cérebro possui funções e é utilizado ao longo do tempo, e não que todas as células cerebrais estejam ativas simultaneamente.
A atividade cerebral muda constantemente conforme o estado do organismo e a tarefa realizada.
Em resumo
Não usamos apenas 10% do cérebro. O cérebro inteiro possui funções e diferentes regiões são ativadas em diferentes momentos. O mito surgiu de interpretações incorretas sobre a atividade cerebral e não existe uma grande parte do cérebro humano simplesmente inutilizada.
