O que acontece com o corpo humano após meses no espaço?
Após meses no espaço, o corpo humano sofre várias adaptações porque deixa de receber a carga mecânica normal da gravidade terrestre. As principais mudanças envolvem ossos, músculos, circulação, equilíbrio e visão.
O mecanismo: viver em microgravidade
Na Terra, a gravidade obriga os músculos e ossos a sustentar continuamente o peso do corpo.
Em microgravidade, essa carga praticamente desaparece. Como consequência, o organismo reduz parte dos tecidos que já não são necessários para sustentar o corpo contra a gravidade.
Por isso, uma missão espacial prolongada exige exercícios diários e acompanhamento médico.
Os músculos perdem força
Sem a necessidade de sustentar o corpo ou caminhar contra a gravidade, determinados grupos musculares são utilizados muito menos.
Isso pode provocar atrofia muscular e redução da força.
Para reduzir essa perda, astronautas na Estação Espacial Internacional realizam exercícios regularmente usando equipamentos específicos, incluindo sistemas de resistência e esteiras.
Os ossos também perdem densidade
A ausência de carga mecânica provoca perda de densidade mineral óssea, especialmente nos ossos que normalmente suportam o peso corporal.
O cálcio liberado dos ossos pode aumentar sua concentração na urina, elevando também o risco de formação de cálculos renais.
Exercícios e estratégias nutricionais ajudam a reduzir esses efeitos, mas a recuperação completa após o retorno pode levar tempo.
O sangue se redistribui
Na Terra, a gravidade mantém uma parte significativa dos fluidos corporais nas pernas.
Em microgravidade, os fluidos se deslocam mais para a região superior do corpo.
Isso pode deixar o rosto mais inchado e alterar temporariamente o volume de sangue circulante e o funcionamento do sistema cardiovascular.
Quando o astronauta retorna à Terra, o corpo precisa se readaptar à gravidade, e essa mudança pode causar tontura ou dificuldade para permanecer em pé inicialmente.
O equilíbrio fica desorientado
O sistema vestibular do ouvido interno utiliza a gravidade como uma das referências para determinar a orientação do corpo.
Quando essa referência muda, o cérebro precisa adaptar-se à nova condição.
Durante os primeiros dias no espaço, alguns astronautas podem apresentar enjoo espacial, desorientação e dificuldade para interpretar movimentos.
Após o retorno, o sistema vestibular precisa novamente adaptar-se à gravidade terrestre.
A visão também pode mudar
Missões prolongadas podem provocar alterações na estrutura e no funcionamento dos olhos em alguns astronautas.
Uma condição conhecida como Spaceflight Associated Neuro-ocular Syndrome (SANS) está associada às mudanças de fluidos corporais e à pressão na região da cabeça durante longas permanências em microgravidade.
A intensidade dessas alterações varia entre indivíduos e ainda é objeto de estudo.
O corpo volta ao normal?
Grande parte das alterações pode melhorar depois do retorno à Terra, especialmente com reabilitação e exposição novamente à gravidade.
Entretanto, a recuperação depende da duração da missão, da condição física individual e do tipo de alteração sofrida.
Por isso, missões futuras de longa duração, como viagens a Marte, exigirão sistemas ainda mais eficientes para reduzir os efeitos da microgravidade.
Resumo
Meses no espaço provocam perda de massa muscular e densidade óssea, redistribuição de fluidos, alterações do equilíbrio e possíveis mudanças na visão. Exercícios e acompanhamento médico reduzem esses efeitos, mas o organismo precisa passar por um novo período de adaptação quando o astronauta retorna à gravidade terrestre.
