Por que ainda não enviamos humanos a Marte?

Ainda não enviamos humanos a Marte porque uma missão tripulada exigiria resolver simultaneamente problemas de duração da viagem, radiação, suporte à vida, pouso, retorno e sobrevivência na superfície. Enviar robôs é muito mais simples porque eles não precisam de comida, água, oxigênio ou proteção biológica para permanecer vivos.

O mecanismo: uma viagem muito mais complexa

Uma missão humana a Marte não seria apenas uma ida. Seria necessário transportar astronautas até Marte, mantê-los vivos durante a viagem, pousá-los com segurança, fornecer recursos na superfície e depois trazê-los de volta à Terra.

Dependendo das posições orbitais dos dois planetas e da trajetória escolhida, uma viagem pode exigir meses em cada direção e uma permanência prolongada em Marte antes da janela adequada para o retorno.

A radiação é um dos principais problemas

Fora da proteção da atmosfera terrestre e do campo magnético do planeta, os astronautas ficam expostos a radiação cósmica e partículas energéticas do Sol.

Uma viagem de longa duração aumentaria a exposição acumulada.

Uma missão tripulada precisaria utilizar sistemas de proteção e procedimentos capazes de reduzir esse risco, especialmente durante períodos de atividade solar intensa.

Como manter os astronautas vivos?

Durante meses, a espaçonave precisaria fornecer:

Quanto maior a duração da missão, maior a quantidade de equipamentos e recursos necessários.

Por isso, sistemas de reciclagem de água e regeneração de ar são fundamentais para reduzir a quantidade de suprimentos que precisaria ser lançada da Terra.

O corpo humano também sofre com a microgravidade

Durante a viagem, os astronautas permaneceriam por meses em microgravidade.

A ausência prolongada de carga mecânica provoca perda de massa muscular e densidade óssea, além de outras alterações fisiológicas.

Exercícios regulares e sistemas de suporte médico seriam necessários durante toda a missão.

E pousar em Marte?

O pouso é outro grande desafio.

A atmosfera marciana é muito fina para desacelerar uma nave pesada como acontece na Terra, mas ainda produz aquecimento significativo durante a entrada.

Uma missão humana precisaria pousar uma carga muito maior do que os veículos robóticos enviados até hoje, tornando a entrada, descida e aterrissagem ainda mais difíceis.

Como os astronautas voltariam?

O veículo de retorno precisaria estar disponível em Marte ou ser enviado previamente.

Uma estratégia possível envolve produzir parte do combustível necessário para o retorno utilizando recursos marcianos. Por exemplo, tecnologias estudadas pela NASA demonstram que é possível produzir oxigênio a partir do dióxido de carbono da atmosfera marciana.

Isso poderia reduzir a quantidade de propelente que precisaria ser transportada da Terra.

Por que não mandar humanos imediatamente?

Porque uma missão tripulada a Marte precisa atingir um nível de confiabilidade muito superior ao de uma missão robótica.

Uma falha crítica em um robô pode significar a perda da missão. Em uma missão humana, a mesma falha pode colocar vidas em risco a centenas de milhões de quilômetros da Terra, onde o auxílio direto é impossível.

Resumo

Ainda não enviamos humanos a Marte porque uma missão desse tipo exige soluções confiáveis para radiação, suporte à vida, microgravidade, pouso, produção de recursos e retorno à Terra. A tecnologia necessária está sendo desenvolvida e testada, mas uma missão humana precisa combinar todos esses sistemas com segurança suficiente para uma viagem de muitos meses.

Paulo Bravo

Paulo Bravo

CEO e Fundador do Blog Detalhe Curioso (2024). Além de criar conteúdos digitais desde 2024, sou formado em Contabilidade pela Faculdade de Economia da UAN. Criei o Detalhe Curioso para te ajudar com as Respostas de perguntas que despertam a sua Curiosidade.

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