Assustador livro “psíquico” de 131 anos “previu a ascensão épica ao poder de Trump”
Nas décadas de 1890, muito antes de Donald Trump vir ao mundo, o advogado e escritor americano Ingersoll Lockwood lançou dois livros de ficção que hoje servem de combustível para teorias da conspiração fascinantes e mirabolantes.
As obras em questão, intituladas A Maravilhosa Aventura Subterrânea do Barão Trump e O Último Presidente, trazem elementos que, aos olhos de alguns entusiastas, parecem antecipar detalhes impressionantes sobre a família Trump e a intensa polarização política dos Estados Unidos no século XXI.
O primeiro volume acompanha a trajetória de um jovem aristocrata chamado Barão Trump, cuja grafia traz um “a” a mais em comparação ao filho caçula de Donald Trump, Barron. O protagonista habita o Castelo Trump, uma morada suntuosa que muitos comparam à famosa Trump Tower, na cidade de Nova York.
Na narrativa, o jovem é orientado por um mentor enigmático chamado “Don”, apelido que remete diretamente a “Donald”. O roteiro ainda envolve expedições por reinos subterrâneos e interações com civilizações exóticas, detalhes que, na visão dos teóricos, refletem a chegada de Trump à política como um elemento transformador.
Por sua vez, O Último Presidente apresenta um enredo ainda mais chamativo. A história se desenrola em Nova York, logo após o triunfo eleitoral de um candidato antissistema que polariza a sociedade.
Manifestações tomam conta das ruas, enquanto facções revoltadas ameaçam propriedades de elites e o cenário institucional entra em colapso.
Um trecho específico da obra relata que grandes multidões se articulavam sob a influência de radicais, ameaçando saquear os lares dos ricos que exploravam os trabalhadores. A semelhança com acontecimentos recentes, como os tumultos de 2020 e os episódios no Capitólio em 2021, bastou para incendiar discussões nas redes sociais.
Nas plataformas digitais, os adeptos de narrativas alternativas soltaram a imaginação. Comentários bem-humorados sugeriam viagem no tempo confirmada, enquanto outros levantavam hipóteses mirabolantes sobre o envolvimento de tecnologias antigas.
Não faltam pessoas convencidas de que Lockwood possuía dons clarividentes ou que o próprio presidente americano seria uma entidade atemporal capaz de ecoar no passado.
Apesar de todo o burburinho, pesquisadores da literatura e da história esclarecem que as conexões não passam de meras coincidências.
Lockwood ficou conhecido no século XIX por satirizar a elite de sua época, e o sobrenome Trump já circulava socialmente, com raízes em famílias germânicas. Além disso, temas como revoltas populares e embates sociais são recorrentes na literatura política, o que torna as analogias bastante compreensíveis.
Ainda assim, a internet soube como transformar o caso em um verdadeiro sucesso viral. Gravações no TikTok e discussões no Reddit acumulam milhões de visualizações, com internautas cruzando trechos literários com declarações reais de Trump e manchetes jornalísticas.
Até mesmo a capa histórica de O Último Presidente, que exibe uma multidão reunida em frente a um edifício nova-iorquino, ganhou status de profecia relacionada ao Trump International Hotel.
Enquanto acadêmicos enxergam o fenômeno como apofenia, a tendência natural do cérebro humano de enxergar nexo onde há apenas acaso, os criadores de teorias seguem irredutíveis.
Certo ou errado, o fato é que os escritos de Lockwood, esquecidos por mais de cem anos, ganharam um fôlego inédito na era digital, demonstrando como páginas antigas podem ressurgir no centro das curiosidades contemporâneas.
