Astronautas presos no espaço após mau funcionamento da cápsula da Boeing podem ficar presos até 2025
Parecendo enredo de filme de ficção científica, a viagem espacial de dois astronautas da NASA pode acabar se estendendo até 2025. O que era para ser uma estadia curta de apenas oito dias a bordo da cápsula Starliner, da Boeing, transformou-se em uma longa permanência que pode chegar a sete meses.
Barry Wilmore, de 61 anos, e Suni Williams, de 58, decolaram no dia 5 de junho para o que deveria ser uma viagem rotineira rumo à Estação Espacial Internacional. Contudo, após estarem há mais de 60 dias no espaço, a dupla e as equipes em solo se depararam com falhas técnicas preocupantes na espaçonave. A Starliner apresentou cinco vazamentos de hélio, cinco falhas nos propulsores de manobra e um problema em uma válvula de propelente que impediu seu fechamento total.
Essas complicações colocaram em dúvida a segurança do voo de volta para a Terra. Embora o suprimento de sobrevivência dos astronautas tenha gerado preocupação inicial, novas avaliações indicam que eles podem permanecer em órbita até o início de 2025.
Steve Stich, gerente do Programa de Tripulação Comercial da NASA, tem coordenado planos alternativos. Uma das opções em análise é o uso de uma missão da SpaceX para trazer a dupla de volta, cenário que só estaria viável em fevereiro de 2025.
Apesar dos contratempos com a Starliner, a agência espacial segue otimista quanto ao retorno de Wilmore e Williams. Stich destacou que uma decisão final sobre qual caminho seguir precisará ser tomada em breve, especialmente devido aos ajustes no cronograma da missão Crew-9 da SpaceX, adiada de agosto para setembro.
Enquanto a decisão oficial não é tomada, a NASA mantém todas as alternativas em aberto para garantir flexibilidade. Paralelamente, engenheiros realizam testes rigorosos com propulsores reservas no Novo México para decifrar as falhas ocorridas durante a aproximação da cápsula à ISS. Quatro dos propulsores problemáticos já foram reativados, reacendendo a esperança de uma viagem de retorno antecipada.
Este episódio marca o primeiro voo tripulado do Starliner da Boeing, após tentativas anteriores que também enfrentaram obstáculos de software e desempenho em 2019 e 2022. Os percalços evidenciam os desafios enfrentados pela iniciativa privada no desenvolvimento de veículos espaciais para o programa comercial da NASA.
O imbróglio também destaca os contrastes na corrida espacial comercial, onde a SpaceX, de Elon Musk, já consolidou o transporte regular de tripulações para a estação orbital e agora pode atuar como uma solução de resgate.
Enquanto aguardam em órbita, Wilmore e Williams mantêm a postura profissional, amparados por seu treinamento e pelo esforço incansável das equipes em solo. Embora a permanência estendida traga dados úteis para futuras missões prolongadas, o foco principal continua sendo o retorno seguro dos astronautas à Terra.
