Cientistas descobrem sonho que pode ser um sinal precoce de demência ‘em quase todos os casos’
Cientistas descobrem sonho que pode ser um sinal precoce de demência em quase todos os casos
Um distúrbio do sono pouco conhecido tem despertado o alerta na comunidade médica devido à sua impressionante conexão com doenças neurológicas graves, como o Parkinson e a demência.
Conhecido como transtorno comportamental do sono REM, ou RBD, o problema afeta mais de 1 milhão de pessoas nos Estados Unidos e cerca de 80 milhões em âmbito global.
O distúrbio se manifesta por meio de ações físicas e vocais durante a fase de sonhos. Quem sofre com o problema costuma falar, gritar, rir, xingar ou executar movimentos bruscos enquanto dorme.
O que torna essa condição um objeto de estudo tão urgente é o seu papel de alerta precoce. Pesquisadores do hospital Mount Sinai descobriram que o transtorno antecede o surgimento da demência ou da doença de Parkinson em praticamente todos os casos registrados.
O grande obstáculo para a medicina sempre foi o diagnóstico, já que os sintomas ocorrem durante o sono e muitas vezes passam despercebidos. Além disso, o transtorno pode ser facilmente confundido com outras patologias.
O problema ganha contornos ainda mais sérios quando os movimentos se tornam violentos, a ponto de machucar o próprio paciente ou a pessoa que dorme ao lado.
Por trás dessa relação está uma alteração biológica específica: processos inflamatórios em regiões do cérebro encarregadas de produzir dopamina. Esse mesmo declínio na dopamina é observado em pacientes com Parkinson e demência, ocorrendo justamente a deterioração das células nervosas produtoras dessa substância.
Para superar a dificuldade de identificar o problema, especialistas recorreram à tecnologia. Cientistas americanos desenvolveram um sistema automatizado de inteligência artificial, baseado em pesquisas da Universidade Médica de Innsbruck, na Áustria.
A ferramenta analisa exames de vídeo-polissonografia e consegue diagnosticar o transtorno com impressionantes 92% de precisão.
Além das noites agitadas, o distúrbio cobra seu preço durante o dia. Os pacientes costumam relatar exaustão ao despertar e forte sonolência ao longo das horas.
Esses sinais muitas vezes vêm acompanhados de outros indícios precoces de declínio cognitivo, como dificuldade para aprender coisas novas, perda de concentração, falhas na comunicação, confusão ao identificar objetos e reações emocionais atípicas.
A expectativa da equipe médica é que a inteligência artificial seja integrada à rotina clínica para facilitar a interpretação dos exames de sono. Com isso, os médicos poderão avaliar a gravidade dos movimentos noturnos e criar planos de tratamento personalizados, intervindo de forma muito mais precoce.
Diante do impacto de condições neurodegenerativas em todo o mundo, essa descoberta representa um avanço importante. Conseguir mapear e compreender os sinais do sono abre novas portas para monitorar e enfrentar esses desafios da medicina moderna com muito mais eficiência.
