Ilhas paradisíacas avaliadas em 100 bilhões de dólares se tornam cidades fantasmas após mega-projeto dar errado
Ilhas paradisíacas avaliadas em 100 bilhões de dólares se tornam cidades fantasmas após mega-projeto dar errado
No início da década de 2010, o Azerbaijão deu início a um projeto monumental que prometia transformar a sua costa e redefinir a posição do país no cenário internacional.
As Ilhas Khazar, também conhecidas como Ilhas Cáspias, foram planejadas como um vasto arquipélago composto por 55 ilhas artificiais, unidas por mais de 150 pontes.
Situadas a apenas 25 quilômetros ao sul de Baku, a capital, a ousada empreitada foi desenhada para competir diretamente com as icônicas Ilhas Palm de Dubai.
O objetivo principal era colocar o Azerbaijão no mapa global da engenharia de ponta e do turismo de altíssimo luxo.
A grandiosidade do plano impressionava. A infraestrutura previa moradia para até um milhão de habitantes, além de uma rede completa de serviços e lazer.
Estavam previstas 150 escolas, 50 hospitais, inúmeras creches, parques públicos, centros comerciais e até um campus universitário moderno.
O grande símbolo dessa utopia futurista seria a Torre do Azerbaijão, um arranha-céu estimado em 2 bilhões de dólares que pretendia se tornar o prédio mais alto do planeta.
O valor total de investimento para todo o complexo chegava à impressionante marca de 100 bilhões de dólares.
A liderança da iniciativa ficou a cargo do empresário azeri Ibrahim Ibrahimov, que apresentou a ideia ao público em 2010.
As obras começaram em março de 2011, e Ibrahimov estimava com segurança que tudo estaria finalizado até 2023, alegando que havia forte interesse de investidores estrangeiros.
As ambições dos criadores iam muito além de moradias e comércios. Eles planejavam incluir um circuito de Fórmula 1 ao redor da Torre do Azerbaijão para atrair eventos internacionais de grande porte.
Curiosamente, embora o sonho das Ilhas Khazar tenha desmoronado, o Azerbaijão acabou conseguindo sediar a Fórmula 1 por outros meios.
Desde 2016, as ruas de Baku recebem regularmente grandes nomes do automobilismo mundial, como Lewis Hamilton e Max Verstappen.
Contudo, a tentativa de erguer uma nova metrópole aquática no Mar Cáspio esbarrou em barreiras intransponíveis.
Em 2015, a forte queda nos preços globais do petróleo atingiu em cheio a economia do Azerbaijão, altamente dependente dessa commodity.
A crise financeira gerou um efeito dominó no projeto das Ilhas Khazar, resultando em paralisações e atrasos severos.
Mesmo diante da gravidade da situação, Ibrahimov tentou manter a confiança do público.
Ele estipulou novas datas para a conclusão, adiando o prazo para o período entre 2020 e 2025.
Ainda em abril de 2017, após dois anos com as obras paradas, o empresário garantia que os trabalhos seriam retomados em breve.
No entanto, as promessas não se concretizaram. O que prometia ser um refúgio luxuoso e vibrante transformou-se em um enorme monumento ao excesso de ambição.
Atualmente, o local está longe de lembrar o paraíso futurista idealizado.
Em vez de ruas movimentadas e edifícios reluzentes, resta apenas uma paisagem desolada e estagnada no tempo, uma verdadeira cidade fantasma erguida sobre ruínas de grandes expectativas.
