Imane Khelif fala após garantia de medalha e polêmica
Imane Khelif garantiu uma medalha histórica nos Jogos Olímpicos de Paris, mas sua trajetória até o pódio tem sido marcada por intensos desafios e debates acalorados. No sábado, 3 de agosto, a boxeadora argelina superou a húngara Anna Luca Hamori por decisão unânime nas quartas de final, assegurando ao menos a medalha de bronze. O triunfo veio logo após o combate polêmico contra a italiana Angela Carini no início da semana.
A luta diante de Carini, realizada na quinta-feira, 1º de agosto, durou apenas 46 segundos antes de a italiana desistir do confronto. Após deixar o ringue, Carini justificou a decisão afirmando que não conseguia continuar lutando. O episódio incomum jogou os holofotes sobre Khelif, que passou a ocupar o centro de discussões globais sobre elegibilidade de gênero no esporte.
Visivelmente emocionada e envolta na bandeira da Argélia, Khelif conversou com a imprensa após garantir a vaga na semifinal. Dediquei esta medalha ao mundo e a todos os árabes, e digo: viva a Argélia, declarou. A atleta também fez questão de se defender das críticas: Quero dizer ao mundo inteiro que sou uma mulher, nasci mulher e continuarei sendo uma mulher.
A polêmica em torno da boxeadora remonta à sua desqualificação do Campeonato Mundial de Boxe Feminino da IBA em 2023. Na ocasião, a Associação Internacional de Boxe alegou que ela não passou em um teste de elegibilidade de gênero devido a níveis elevados de testosterona. Regulamentos da entidade impedem atletas com cromossomos XY de participarem de torneios femininos.
Em contrapartida, o Comitê Olímpico Internacional sustentou a liberação de Khelif para as Olimpíadas de Paris. O porta-voz do COI, Mark Adams, reforçou que todas as atletas da categoria feminina cumprem os critérios exigidos, constando como mulheres em seus documentos oficiais.
Khelif classificou o episódio de sua desqualificação anterior como uma conspiração. Seu pai, Amar Khelif, saiu em defesa da filha e qualificou os ataques como imorais em entrevista à agência Reuters. Ele destacou que a atleta sempre honrou o país e que as críticas têm o objetivo de desestabilizá-la, embora ela continue focada em provar seu talento como campeã.
Enquanto avança na competição em busca do ouro olímpico, Khelif carrega as esperanças de sua nação e o peso de um debate complexo sobre gênero no esporte de elite. Paralelamente, sua antiga oponente, Angela Carini, recebeu um convite inusitado do influenciador e boxeador Jake Paul para disputar um de seus eventos futuros, o que pode abrir novos horizontes para a carreira da italiana. Com os olhos do mundo voltados para o ringue, a argelina segue firme em sua jornada olímpica.
