Nave espacial ultrassecreta pousa na Terra após 434 dias em órbita; autoridades divulgam comunicado
O avião espacial X-37B, uma das aeronaves mais sigilosas da Força Espacial dos Estados Unidos, concluiu com êxito mais uma jornada ao pousar na Base Espacial de Vandenberg, na Califórnia. Desenvolvida pela Boeing, a nave finalizou sua sétima missão após passar 434 dias consecutivos em órbita, somando mais um marco em sua trajetória de 15 anos de operações. Desde o seu voo inaugural, em 2010, o veículo já acumulou mais de 4.000 dias no espaço, consolidando-se como um dos projetos experimentais mais intrigantes da atualidade.
Iniciada em 2023, essa última missão atraiu atenção mundial ao introduzir testes pioneiros e até mesmo a rara divulgação de uma imagem capturada diretamente do espaço. Em fevereiro, a Força Espacial compartilhou uma fotografia da Terra tirada por uma das câmeras de bordo enquanto a aeronave navegava por uma órbita altamente elíptica. Embora o registro tivesse o objetivo prático de monitorar a integridade estrutural da nave durante os experimentos, ele proporcionou ao público um raro vislumbre das operações normalmente mantidas sob forte sigilo.
Entre os principais objetivos da empreitada, destacaram-se testes voltados para aprimorar a chamada consciência do domínio espacial, termo que define a capacidade de rastrear e compreender o tráfego e as atividades em órbita. No entanto, o ponto alto da missão foi a execução bem-sucedida de manobras de aerotravagem. Trata-se de uma técnica sofisticada que utiliza o arrasto da atmosfera terrestre para modificar a trajetória da nave gastando o mínimo possível de combustível.
Esta foi a primeira vez que o X-37B testou a aerotravagem em condições reais de voo, um avanço considerado decisivo para o futuro da exploração orbital. Antes do encerramento da missão, o secretário da Força Aérea, Frank Kendall, destacou que a manobra reflete o compromisso com a inovação segura e responsável. Além de altamente eficiente, a técnica elimina a necessidade de grandes tanques de combustível, o que promete transformar o design de futuros satélites e naves espaciais.
Com dimensões compactas de 8,8 metros de comprimento e envergadura de 4,6 metros, o X-37B funciona como um híbrido entre um satélite tradicional e um ônibus espacial. A aeronave é lançada ao espaço no topo de foguetes convencionais, mas retorna à Terra planando e pousando como uma aeronave comum. Essa capacidade de reutilização reduz custos operacionais e amplia enormemente as possibilidades de testes em ambiente de microgravidade.
Apesar de a maior parte das cargas e dos objetivos operacionais permanecer sob sigilo militar, as autoridades confirmaram que a missão avaliou novos materiais expostos ao vácuo e à radiação espacial, além de tecnologias avançadas de comunicação e captação de energia solar. Para o general Chance Saltzman, chefe de operações espaciais, a versatilidade demonstrada pela nave abre portas cruciais para a segurança e o avanço tecnológico na órbita terrestre.
